ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS · BRASIL · 2026

A corrida ao Planalto

Compilado das pesquisas mais recentes (Datafolha, Quaest, AtlasIntel) e probabilidades implícitas da Polymarket. Atualizado em maio/2026.

1º turno (média)
~41% × 36%
Lula × Flávio
2º turno (média)
Empate
margem <1pp
Polymarket
Flávio 44%
vs. Lula 38%

1º turno: três pesquisas, três retratos

Cenário estimulado · % das intenções de voto · abril/2026

Por que tanta diferença? AtlasIntel (digital, RDR) tende a captar maior polarização Lula × Flávio e quase zero indecisos. Datafolha e Quaest (presenciais) capturam mais brancos/nulos e indecisos, achatando os percentuais dos líderes.

Quaest · composição completa

abr/2026 · n=2.004 · margem ±2pp

Datafolha · composição completa

abr/2026 · n=2.004 · margem ±2pp

AtlasIntel · composição completa

abr/2026 · n=5.008 · margem ±1pp

Repare: na AtlasIntel, brancos/nulos somam apenas 0,5% e indecisos 0,1% — quase nada. O método digital empurra o eleitor a escolher um nome.

1º turno · evolução Quaest

fev–abr/2026 · cenário principal estimulado

Distância encolhe de 6pp para 5pp. Lula estagnado em 37%; Flávio sobe de 29% para 32%.

1º turno · evolução AtlasIntel

fev–abr/2026 · cenário principal estimulado

Lula oscila entre 45,9% e 46,6% — estável. Flávio sobe de ~38% para 39,7%.

2º turno (Lula × Flávio) · evolução Quaest

A reviravolta do início de 2026

Lula caiu de 43% para 40%; Flávio subiu de 38% para 42% — ultrapassagem em abril.

2º turno (Lula × Flávio) · evolução AtlasIntel

O ponto de virada (mar/26)

Em março, Flávio passou Lula no 2º turno pela 1ª vez na série AtlasIntel.

Espontânea: o nome que vem à cabeça

Sem lista de candidatos · Datafolha vs Quaest (abr/26)

O dado mais revelador. 42% (Datafolha) e 62% (Quaest) dos eleitores não conseguem citar nenhum nome quando perguntados de boca limpa. A corrida está, na prática, indefinida fora do núcleo polarizado Lula/Flávio. A campanha de TV/rádio (a partir de agosto) e os debates serão decisivos.

2º turno: Lula × Flávio · três institutos

abr/2026 · todos dentro da margem de erro

Datafolha
Flávio +1
46 × 45
Quaest
Flávio +2
42 × 40
AtlasIntel
Empate
47,8 × 47,5
Quaest brancos
18%
Maior reservatório

Cenários alternativos · 2º turno (AtlasIntel)

Diferença líder − adversário (em pp)

Lula vence com folga apenas contra Renan Santos (+17,6pp) e Caiado (+4,6pp). Em todos os outros cenários, é empate técnico ou derrota. Curiosamente, Haddad perde para Flávio por mais que Lula (-3,8pp) — o petista sem o cabo eleitoral do PT é mais frágil.

Rejeição · "Não votaria de jeito nenhum"

abr/2026 · AtlasIntel × Datafolha

Os dois favoritos têm rejeição superior a 45%. Lula e Flávio têm o mesmo problema: cada um tem metade do país que jura nunca votar nele. Na AtlasIntel, "outsiders" como Renan (42%) e Haddad (42%) já têm rejeição alta também — sinal de que a polarização contamina o restante.

Conhecimento × Potencial de voto (Quaest)

"Conhece e votaria" vs "Conhece e não votaria" vs "Não conhece"

O teto da direita. Zema e Caiado têm 50% do eleitorado que ainda não os conhece — espaço para crescer. Renan, Daciolo e Cury são desconhecidos por mais de 2/3 dos eleitores. O teto teórico de Lula e Flávio é baixo: ambos têm rejeição declarada de mais de 50%.

Polymarket · Quem vence a eleição?

Probabilidade implícita · 03/05/2026 · ~US$ 64M em volume

Flávio Bolsonaro
44,8%
Lula
37,5%
Outros
17,7%

Por que Flávio à frente, mesmo com Lula liderando o 1º turno? O mercado precifica o 2º turno: empates técnicos com retraso consistente para Lula entre independentes, alta rejeição do governo, e a leitura de que a oposição tende a se consolidar até outubro.

Polymarket · Quem avança ao 2º turno?

Probabilidade de chegar ao runoff

Mercado dá 88% de chance de Flávio chegar ao 2º turno e 76% para Lula. Probabilidade de decisão no 1º turno: apenas 7,5%.

Polymarket · Quem termina em 3º?

Mercado mais incerto, ~$264k de volume

Disputa pela vaga simbólica de "fenômeno": Zema (40%) leva ligeira vantagem sobre Renan Santos (35%), mesmo com Renan superando Zema na AtlasIntel.

De onde vêm (e para onde vão) os votos

Perfil do eleitorado de cada candidato

Lula (PT) · 37–47%

Base sólida: Nordeste, periferias urbanas, evangélicos progressistas, beneficiários de programas sociais (Bolsa Família, BPC), eleitores acima de 45 anos com baixa renda. Desafio: estagnação no Sudeste e perda entre independentes, onde aparece atrás de Flávio (27% × 32% na Quaest). Aprovação do governo em 53% de desaprovação pesa.

Flávio Bolsonaro (PL) · 32–40%

Herda: o eleitorado bolsonarista (Jair endossou). Cresceu de ~20% para ~40% desde fim de 2025 ao consolidar a direita após Tarcísio desistir do nacional. Forte em: Sul, Sudeste, classe média, eleitores brancos, masculinos, ensino superior. Limite: rejeição de 50% e teto histórico do bolsonarismo.

Ronaldo Caiado (PSD) · 3–6%

Aposta do "centro-direita não-bolsonarista" para reorganização do campo. Tem 50% de não-conhecimento (espaço pra crescer), porém pena com base territorial estreita (Goiás) e dificuldade de penetrar fora da agro/conservadores.

Romeu Zema (NOVO) · 3–4%

Tese liberal radical ("zerar custo Brasil", privatização total). Eleitor pequeno empresário, jovem urbano de centro-direita anti-PT mas anti-bolsonarista. Cobiçado como vice tanto pelo PL quanto pelo PSD.

Renan Santos (Missão) · 2–5%

Coordenador do MBL. Captura voto jovem, anti-establishment. Atinge 5% na AtlasIntel (digital), o que sugere base muito conectada online — eleitorado fluido e instável.

Brancos, nulos & indecisos

Datafolha: 14% (10% B/N + 4% NS). Quaest: 16% (11% B/N + 5% indecisos). AtlasIntel: ~0,6% (efeito metodológico). 41% querem alguém "nem-nem" segundo a própria Quaest. Esse é o eleitorado decisivo.

Síntese: o que a corrida nos diz hoje

Cinco conclusões a partir dos dados

  1. Polarização sem mocinho. Lula × Flávio concentram 70%+ dos votos, mas ambos têm rejeição acima de 45%. Não é cenário de "o melhor candidato", é cenário de "menos pior".
  2. Lula no 1º turno, Flávio no 2º. O efeito típico do voto útil concentra a esquerda em torno do petista e dispersa a direita — mas no 2º turno, a soma dos antipetistas tende a fechar a conta.
  3. O método importa. AtlasIntel (digital) mostra disputa apertada com pouquíssimos indecisos. Datafolha/Quaest (presencial) mostram percentuais menores e até 16% de brancos+indecisos. A "verdade" provavelmente está entre os dois.
  4. Polymarket aposta na alternância. Com US$ 64M de volume, o mercado prevê Flávio (44%) à frente de Lula (38%). Sinal mais consistente de que apostadores leem os empates técnicos como vantagem oposicionista.
  5. O que pode mudar. Convenções partidárias (jun-jul), debates (a partir de agosto), economia (PIB, juros), eventual escolha de vice e movimentações jurídicas em torno tanto de Flávio quanto da família Bolsonaro.

Fontes e metodologias

Datafolha · 7-9/abr · n=2.004 entrevistas presenciais · margem ±2pp · TSE BR-03770/2026
Quaest/Genial · 9-13/abr · n=2.004 entrevistas presenciais · margem ±2pp · TSE BR-09285/2026
AtlasIntel/Bloomberg · 22-27/abr · n=5.008 questionário digital · margem ±1pp · TSE BR-07992/2026
Polymarket · "Brazil Presidential Election" · volume acumulado ~US$ 64M · atualizado 03/05/2026
* Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 — testado nas pesquisas como cenário hipotético.